terça-feira, 29 de setembro de 2015

SURGIMENTO DA PRIMEIRA IGREJA EVANGÉLICA EM CARNAUBAIS

Por volta do ano de 1959 chegaram a cidade de Carnaubais o casal de missionários americanos Fred e Virginia McClanahan. Eles foram enviados pela Associação dos Batistas para o Evangelismo Mundial, uma organização missionária que desde 1939 tinha começado um trabalho na área peruana do rio Amazonas e naquele momento estavam voltados para o nordeste do Brasil (foto à esquerda). Coube para o serviço do casal McClanahan as terras da cidade de Carnaubais que na época da chegada deles ainda era uma vila pertencente a cidade de Assu, vindo a emancipar-se e tornar-se uma nova cidade quatro anos depois, em 1963.

Em Carnaubais já existiam pessoas evangélicas, mas não havia nenhuma denominação implantada, os convertidos congregavam em cidades vizinhas. Mas a partir do trabalho dos missionários, no ano seguinte a sua chegada, em 1960, foi fundada a primeira denominação evangélica de Carnaubais, a Igreja Batista Regular. A partir daquele momento, de forma inédita, a nova cidade possuía duas representações religiosas, a Igreja Católica, que já existia e a Igreja Batista Regular (evangélica). Logo, pessoas foram se convertendo, aumentado o número de evangélicos da cidade e alguns deles passaram a auxiliar o ministério de Fred e Virginia. No início a Igreja Batista não possuía templo, sendo o culto e os demais serviços realizados sob tendas de lona nas proximidades da comunidade de Timbaúba. Depois de algum tempo, com a ajuda dos membros, foi edificado o primeiro templo evangélico de Carnaubais (foto à baixo), localizado no antigo centro deste município próximo ao sobrado de Abel Alberto da Fonseca. 

Seu Fred e Dona Virginia como eram mais conhecidos pelos populares, permaneceram por mais de uma década em Carnaubais a frente dos serviços da Igreja Batista. Porém, a contribuição deles não se resumiu ao âmbito religioso, mas houve também no âmbito educacional, com a criação de uma escola que se chamava A Escola Brasileira.

           A chegada dos missionários e a fundação da primeira igreja evangélica de Carnaubais se deu quando a cidade ainda pertencia a Assu, mas a maior parte da atuação de Seu Fred e Dona Virginia aconteceu no período em que a cidade já tinha sido emancipada, pois os americanos já estavam presentes quando aconteceu a emancipação política, assim como testemunharam as primeiras eleições municipais e a enchente de 1974.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

NOTA HISTÓRICA: O PORQUÊ DO MANDATO DE TEIXEIRINHA TER SIDO MAIS CURTO

O mandato do prefeito João Teixeira Filho, também conhecido como Teixeirinha foi mais curto do que o do seu antecessor Valdemar Campielo. Isso aconteceu devido ao Ato Institucional Nº 11.

O Brasil vivia naquela época sob o regime militar e naquele período vários presidentes do regime elaboraram normas que foram chamadas de Atos Institucionais. O Ato Institucional Nº 11 foi baixado pelo então presidente Artur da Costa e Silva (foto ao lado) no dia 14 de agosto de 1969.

O AI-11 impôs um novo calendário eleitoral, marcando todas as eleições para o dia 30 de novembro de 1969, para completar os cargos que estavam em vacância (vazia) devido às cassações de seus titulares. Com essa medida, o governo federal também pretendia uniformizar o inicio e término dos mandatos dos prefeitos em todo o território nacional. Alguns foram reduzidos e outros foram ampliados.


Aqui em Carnaubais, a fim de cumprir com as exigências do AI-11, o mandato de Teixerinha foi reduzido. Ele e o seu vice, Francisco Roque de Souza governaram de 31 de janeiro de 1970 até 31 de janeiro de 1973.

A SEGUNDA ELEIÇÃO MUNICIPAL DE CARNAUBAIS

A segunda eleição de Carnaubais aconteceu em 30 de novembro de 1969. Já no começo de sua trajetória política a jovem cidade apresentou surpresas, pois essa eleição foi a primeira e até agora a única na qual houve apenas um candidato.

Naquele ano houve um acordo entre a situação que era representada pelo então prefeito Valdemar Campielo e a oposição que era liderado pelo deputado emancipador Olavo Lacerda. Nessa concordata, Valdemar indicaria o candidato a prefeito e Olavo indicaria o candidato a vice. A situação indicou João Teixeira Filho (no centro da foto) e a oposição indicou Francisco Roque de Souza. E a população deveria votar apenas sim ou não.


Nesse contexto, João Teixeira Filho e Francisco Roque de Souza se tornaram prefeito e vice-prefeito de Carnaubais, respectivamente, exercendo o mandato de 31 de janeiro de 1970 até 31 de janeiro de 1973, entrando para a história como o segundo prefeito e vice eleitos pela população carnaubaense.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

NOTA HISTÓRICA IV: NO BRASIL, SEGUNDO PRESIDENTE DO REGIME MILITAR E EM CARNAUBAIS, FIM DA PRIMEIRA GESTÃO MUNICIPAL

Em 15 de março de 1967, a nova carta magna, a Constituição de 1967 entrava em vigor junto com o mandato do presidente eleito pelo Congresso Nacional, o Marechal Arthur da Costa e Silva (foto à esquerda).

Com o prosseguimento dos militares no poder, as situações de protesto e conflito contra o novo governo tomavam cada vez mais relevância. Depois de passeatas de protestos, greves, manifestações estudantis que repercutiram mal ao governo devido a morte do estudante Edson Luís por policiais e do discurso dado no Congresso pelo deputado Márcio Moreira Alves, do MDB, que fez duras críticas ao militarismo, o presidente Costa e Silva, publicou no dia 13 de dezembro de 1968 o Ato Institucional Nº 5 ou o AI-5, que permitia ao presidente estabelecer o recesso indeterminado do Congresso Nacional e de qualquer outro órgão legislativo em esfera estadual e municipal, cassar mandatos e suspender os direitos políticos de qualquer cidadão por dez anos. Além disso, poderia ser realizado o confisco dos bens daqueles que fossem incriminados por corrupção e estabeleceu também a Censura a revistas, jornais, livros e programas de rádio e televisão suspeitos de serem subversivos ao governo. Assim enquanto a cidade de Carnaubais comemorava mais um festejo de sua padroeira, uma importante decisão política estava sendo tomada em nível nacional.

Em maio de 1969, o presidente juntamente com uma comissão de juristas se propôs a realizar um reforma política através de uma emenda constitucional que previa a suspensão do AI-5. Essa emenda seria assinada no dia 07 de setembro de 1969, mas uma semana antes, o presidente Costa e Silva sofreu um derrame cerebral e como não havia nenhuma previsão constitucional para tal situação de emergência foi sucedido por uma Junta Governista Provisória, formada pelos ministros militares Aurélio de Lira Tavares, Augusto Rademaker e Márcio de Sousa Melo que governou o país de 31 de agosto de 1969 até 30 de outubro do mesmo ano.

A emenda constitucional contendo a extinção do AI-5 foi esquecida. A Junta Provisória, outorgou uma outra emenda constitucional que  impediu a posse do vice-presidente Pedro Aleixo e deu posse no dia 30 de outubro de 1969 ao general Emílio Garrastazu Médice.


A posse de Médice se deu 18 dias antes da morte do ex-presidente Costa e Silva e três meses antes da transição de gestão municipal em Carnaubais, em 31 de Janeiro de 1970, quando Valdemar Campielo transmitiu o poder municipal para o segundo prefeito eleito, João Teixeira Filho (foto à direita).

NOTA HISTÓRICA III: EM CARNAUBAIS, PRIMEIRO PREFEITO ELEITO E NO BRASIL GOVERNO DO PRIMEIRO PRESIDENTE DO REGIME MILITAR

No dia 24 de Janeiro de 1965 houve a primeira eleição municipal de Carnaubais, que teve dois candidatos na disputa. Pela situação e com o apoio do deputado Olavo Lacerda estava o seu irmão João Batista Lacerda Montenegro, do partido PSD (Partido Social Democrata) e tendo Manoel Alves do Nascimento como seu candidato a vice.

E pela oposição se candidatou a prefeito Valdemar Campielo Maresco, representante da classe sindical, pelo partido UDN (União Democrática Nacional), tendo como candidato a vice, João Benevides Sobrinho.

A chapa da oposição foi vitoriosa, levando Valdemar Campielo Maresco e João Benevides Sobrinho (foto a cima) ao cargo de prefeito e vice-prefeito, respectivamente, do novo município.

Curiosamente, Valdemar e João Batista foram empossados no dia 31 de Janeiro de 1965, apenas uma semana após as eleições.

Com apenas 09 meses e 03 dias após a primeira eleição municipal de Carnaubais e faltando somente 04 dias para Valdemar Campielo e João Benevides completarem nove meses de gestão, o presidente Castelo Branco (foto ao lado) baixou o Ato Institucional Nº 2, também chamado AI-2, abolindo os 13 partidos existentes no Brasil e instalando o bipartidarismo no país, com a criação da Aliança Renovadora Nacional (ARENA), que representava o governo, e do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que reunia uma parcela da oposição, mas de forma controlada. Essa medida influenciaria por muitos anos a política carnaubaense, pois os candidatos a prefeito das próximas eleições até o fim do regime militar no país viriam apenas desses dois partidos.

Valdemar Campielo e João Benevides exerceram um mandato de cinco anos, governando Carnaubais até o dia 31 de Janeiro de 1970. Durante o mandato do primeiro prefeito eleito de Carnaubais, o Brasil ainda conheceria o Ato Institucional Nº 3 ou AI-3, oficializado em 05 de fevereiro de 1966, definindo que as eleições para governador e vice-governador seriam realizadas de forma indireta, ou seja, a partir de então, esses dois cargos seriam definidos através dos votos dos integrantes das assembleias estaduais.

No final do ano de 1966, no dia 12 de dezembro, enquanto Carnaubais comemorava a festa de sua padroeira Santa Luzia, o país conheceria o Ato Institucional Nº 4 ou o AI-4, por meio do qual, o governo convocou todo o Congresso Nacional em sessão extraordinária para votar, discutir e promulgar uma nova constituição em ritmo de trabalho acelerado.
Dois meses e nove dias antes da oficialização do AI-4, houve eleição indireta para a presidência da república, na qual o Congresso Nacional elegeu em 03 de outubro, o segundo presidente do regime militar, o Marechal Arthur da Costa e Silva, que foi candidato único pela ARENA.

NOTA HIATÓRICA II: EM CARNAUBAIS, PREFEITO NOMEADO, NO BRASIL, DITADURA MILITAR


Em 08 de fevereiro de 1964, Rivadávea Alves Cabral foi nomeado pelo governador Aluízio Alves como prefeito de Carnaubais, entrando para a história local como o primeiro chefe do executivo carnaubaense. Após 83 dias de Carnaubais ter conhecido o seu primeiro prefeito, o Brasil vivenciaria o início da ditadura militar, pois no dia 31 de março de 1964 forças do exército de Minas Gerais se deslocaram para o Rio de Janeiro com o objetivo de depor o presidente João Goulart que se refugiou no Uruguai. Imediatamente, chefes militares de todo o país puseram suas tropas de prontidão em apoio aos golpistas.


Um dia depois, em 1º de abril de 1964, o congresso declarou vaga a presidência da república. No dia 02 de abril, o presidente da câmara Raniere Mazzilli assume provisoriamente a presidência. No dia 11 de abril é eleito pelo congresso nacional o primeiro presidente do regime militar, o Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, que tomou posse no dia 15 de abril de 1964, 98 dias após a nomeação de Rivadávea Alves Cabral como prefeito de Carnaubais.

NOTA HISTÓRICA I: O PLEBISCITO NACIONAL DE 1963 E CARNAUBAIS EMANCIPADA


A primeira metade da década de 1960 foi uma época de muita efervescência política tanto no Brasil quanto em nossa pequena Carnaubais. Logo em seguida, tentaremos fazer um paralelo histórico dos acontecimentos políticos tanto nacionais quanto municipais desse período.

Após a renúncia do presidente Jânio Quadros em 25 de agosto de 1961 e da posse do vice-presidente João Goulart em 07 de setembro de 1961, o congresso nacional implantou o parlamentarismo no país, no qual o chefe de governo não era o presidente, mas o primeiro-ministro, nomeado pelo legislativo.

Porém, em 06 de Janeiro de 1963 houve um plebiscito com o objetivo de decidir se continuava com o parlamentarismo ou se voltaria ao presidencialismo. Este último saiu vitorioso na escolha popular.


Apenas oito meses e doze dias após o plebiscito nacional veio a emancipação política de Carnaubais, em 18 de setembro de 1963, quando o Projeto de Lei 2.927 do deputado estadual Olavo Lacerda Montenegro foi aprovado com a assinatura do governador Aluízio Alves, desmembrando Carnaubais de Assu e concedendo ao novo município autonomia político-administrativa.