quarta-feira, 22 de julho de 2015

A EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DE CARNAUBAIS

O povoado de Santa Luzia foi aos poucos ganhando importância política frente a cidade de Assu ao ponto de ter sido elevado a categoria de Vila desde a década de 1950. Por essa ocasião a vila já era chamada pelo nome de Carnaubais. Essa importância se deu por causa da arrecadação que Assu tinha com a extração de sal retirado das salinas de Logradouro, que na época se encontrava em nossas terras, pela firma Matarazo.

No início dos anos de 1960 o governador do Rio Grande do Norte era Aluízio Alves, que governou de 1961 a 1966. Ele adotou uma política de criação de novos municípios no Estado. Nesse contexto, havia na época um deputado estadual de nossa região que tinha grande prestígio diante do governador, era Olavo Lacerda Montenegro (foto abaixo).

Após a derrota de Walter de Sá Leitão, candidato a prefeito de Assu, apoiado por Olavo, para Maria Olímpia Neves de Oliveira nas eleições municipais de 1962, o deputado encaminhou um projeto de lei a Assembleia Legislativa com o objetivo de desmembrar Carnaubais de Assu. Assim, em 18 de setembro de 1963, o Projeto de Lei 2.927 foi aprovado com a assinatura do governador, criando e dando autonomia política e administrativa ao novo município que foi chamado de Carnaubais.

             Houve resistência da prefeita Maria Olímpia que encaminhou a Câmara dos Vereadores de Assu um pedido de suplementação de verba no valor de CR$ 18.0000,00 (dezoito mil cruzeiros) a fim de contratar um bom advogado que pudesse por a baixo o projeto que criou o novo município. O pedido da prefeita foi negado prevalecendo o projeto de Lei do deputado Olavo Lacerda Montenegro, estabelecendo definitivamente o início da história emencipatória de Carnaubais.

terça-feira, 23 de junho de 2015

O CARTÓRIO AMBULANTE

Como funcionavam os serviços do cartório na época do povoado de Santa Luzia, antiga Carnaubais?

Abaixo um trecho do livro A Santa Luzia do meu tempo do escritor Gilberto Freire de Melo que nos conta direitinho como acontecia:


“O tabelião era Mariano Barbosa de Farias, e a sede do Cartório era na sua residência, no Rosário ou proximidades. Quem precisasse de atendimento, tinha que avisar ao Tabelião que se deslocava para o sítio de onde viera o chamado, e atendia as necessidades, quaisquer que fossem as suas dimensões. Transportava, num saco, os livros que iria utilizar, e, a pé ou a cavalo, prestava os seus serviços com precisão nunca reclamada”.

Mariano Barbosa de Farias foi nomeado tabelião público do povoado de Santa Luzia em 06 de outubro de 1936. A nomeação se deu pelo governador da época Rafael Fernandes Pimenta e pelo secretário de justiça Oscar Homem de Siqueira. Ele ocupou esse cargo por 29 anos, até a sua aposentadoria que aconteceu no dia 02 de julho de 1965. Ele foi por quase 30 anos o cartório ambulante da comunidade de Santa Luzia (atual Carnaubais).

Em sua homenagem, a escola do bairro Casinhas recebeu o seu nome, além de uma das ruas de nossa cidade. 


sexta-feira, 19 de junho de 2015

A PARTEIRA

Por não existir hospitais, maternidades ou posto de saúde nas terras de Santa Luzia era comum os partos humanos acontecerem na própria casa dos casais. Nesse contexto, se destacou a figura da parteira, alguma mulher da comunidade que tinha como missão ajudar as mães na hora do parto, “pegar” e limpar o recém-nascido.

Elas não tinham treinamento ou conhecimentos de medicina e enfermagem, mas seu trabalho era indispensável ás gestantes da época, tendo que enfrentar muitas vezes perigos para chegar até a casa onde necessitava seu auxílio, dada as precárias condições das estradas e veredas que só eram transitáveis a pé ou por carros-de-boi, situação essa que era agravada na época das enchentes, que por sua vez inundavam as lagoas e interrompiam as passagens dificultando ainda mais os acessos. Isso, sem falara das próprias dificuldades circunstanciais, tais como a grande distância entre a casa do casal e da parteira, partos que aconteciam a noite ou pela própria saúde das mães.

Uma das pateiras bem conhecidas de Carnaubais foi a senhora Josefa Francisca da Silva, conhecida por Zefa Xole, ou então por Mãe Zefa. Por seu importante trabalho, ela foi homenageada com o nome de uma creche em Carnaubais, a creche Zefa Xole, cujo prédio hoje em dia abriga a Secretaria Municipal do Trabalho, Habitação e Assistência Social – SEMTHAS.

No Museu Zulmira se encontra uma aparadeira (foto acima), uma espécie de vaso, utilizado pelas parteiras para limpar e dar o primeiro banho nas crianças após o nascimento.


Muitos carnaubaenses quando vieram ao mundo, foram “aparados” não por mãos de médicos ou enfermeiros, mas por mãos das parteiras, essas importantes mulheres com um importante ofício que ajudou muitas famílias naquela época. 

quarta-feira, 3 de junho de 2015

SOBRE O CARRO DE BOI

Na época em que Carnaubais ainda era o povoado de Santa Luzia era comum a presença do carreiro com o seu carro de boi. O Carro de boi é um dos mais primitivos e simples meios de transporte ainda em uso nos meios rurais, utilizado para o transporte de cargas (produtos agrícolas) e pessoas e o seu condutor era conhecido como “carreiro”. A seguir, um trecho do livro A Santa Luzia do meu tempo, do escritor Gilberto Freire de Melo que fala um pouco sobre essa importante figura:

“Vivia-se um tempo em que a comunicação se fazia através do ‘carreiro’ – o piloto dos carros de bois – veículo a tração animal remanescente de uma época em que não se ouvia o ronco dos motores de automóveis ou de caminhões. O único barulho indicador da passagem ou chegada do transporte utilizado na região era o cantar dolente ‘dos cocão’ das rodas do carro, lubrificados com sebo e carvão vegetal para que o roçar no eixo, tudo de madeira, produzisse mais estridente e mais melodioso o som que parecia um gemido triste, plangente, ouvido à distância. E o ‘carreiro’ fazia o transporte das cargas, dos passageiros, das encomendasse das notícias que divulgava ao seu sabor, obedecendo ao princípio da sabedoria popular: quem conta um conto aumenta um ponto”.

Em outro trecho também interessante, podemos encontrar:

 “Até então, as notícias, os fatos e feitos históricos e heroicos da região eram transportados pelo ‘carreiro’, assim chamado o condutor do carro de boi, que, de boca em boca, as transmitia aos habitantes. Assim se fazia a comunicação. Os casamentos, os batizados, os óbitos e os episódios mais importantes da vida na Várzea do Açu eram distribuídas num colóquio verbal e entusiasmado entre as comunidades, nos encontros casuais ou nas reuniões dos alpendres que à boca da noite se realizavam para os comentários de tudo quanto se passava nas redondezas”.

          Abaixo, um vídeo muito interessante falando sobre esse importante instrumento da época dos nossos avós.


quinta-feira, 28 de maio de 2015

SOBRE O PRIMEIRO TELEFONE PÚBLICO DE CARNAUBAIS

O telefone foi inventado pelo cientista escocês Alexandre Graham Bell em 1876. No ano seguinte, em 1877, este aparelho foi instalado no Brasil, na época do Imperador D. Pedro II. Aos poucos, esse instrumento foi se espalhando pelo resto do país.

Em Carnaubais, o telefone chegou em 1929, quando a cidade ainda era um povoado chamado Santa Luzia. Através do esforço de Abel Alberto da Fonseca foi instalado um telefone público, o primeiro da localidade, que teve como sua primeira telefonista a Sr.ª Iracema Borja da Fonsêca.


Faltam-nos informações suficientes para sabermos que tipo e modelo de telefone foi utilizado aqui naquela época, mas o fato é que desde o início do século XX Carnaubais já dispunha de um telefone público.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

SOBRE A PRODUÇÃO DE CERA DE CARNAÚBA

A produção de cera de carnaúba foi uma atividade econômica muito presente na história de Carnaubais. Hoje em dia, porém, temos poucos produtores.

Até onde se sabe, Abel Alberto da Fonseca foi o pioneiro nessa atividade, mas é possível que as famílias criadoras de gado que se instalaram em nossas terras já praticassem tal atividade. Mas o fato é que Abel montou uma usina de produção de cera ainda no início do século passado.

Apesar de não ter evoluído muito, as técnicas de produção de cera da atualidade são um pouco mais modernas do que as da época de Abel.

No Museu Zulmira existe uma máquina de corte de palha (na foto acima) que é anterior as máquinas utilizadas nos dias de hoje. A diferença era que a máquina mais antiga deveria ficar fixa em algum lugar que os mais antigos chamavam de “indústria” aguardando que os trabalhadores levassem as palhas até ela para triturá-las. As máquinas mais modernas, porém, são acopladas em um caminhão que vai até onde tem as palhas.

A palha após ser triturada, passa por um processo até se tornar cera que é utilizada para diversos fins, como a produção de velas, de produtos de limpeza e é utilizada até em chips de computadores.


Acima temos a foto da antiga máquina de cortar palha e abaixo temos um vídeo que mostra como a cera é produzida atualmente.


quinta-feira, 14 de maio de 2015

SOBRE O ENGENHO DE RAPADURA

Breve histórico da rapadura
A fabricação da rapadura teve início no século XVI, nas Canárias, ilhas espanholas do Oceano Atlântico. O produto foi exportado para toda a América espanhola no século XVII, época de grande expansão açucareira.
A rapadura originou-se da raspagem das camadas (crostas) de açúcar que ficavam presas às paredes dos tachos utilizados para fabricação de açúcar. O mel resultante era aquecido e colocado em formas semelhante às de tijolos.
No Brasil, os engenhos de rapadura existem desde o século XVII, ou talvez antes. Há registro da fabricação de rapadura, em 1633, na região do Cariri, Ceará.
Comentário

Em Santa Luzia (Carnaubais), o engenho de rapadura veio a existir somente no início do século XX, mais exatamente em 1926, através da iniciativa de Abel Alberto da Fonseca.

Como eram os engenhos

Os engenhos de rapadura eram pequenos e rudimentares. Possuíam apenas a moenda, a fábrica, onde ficavam as fornalhas, e as plantações de cana que, normalmente, dividiam o espaço com outros tipos de cultura de subsistência.
No início, as moendas eram de madeira, movidas a água (onde havia abundância do líquido) ou tração animal (cavalos e bois). No século XIX, surgiram as moendas de ferro, usando-se ainda o mesmo tipo de tração. Depois os engenhos evoluíram passando a ser movidos a vapor, óleo diesel e finalmente a eletricidade.
Comentário

O engenho de Abel não era diferente desse tipo tão comum espalhado por outras cidades e localidades do Brasil. Ele era provavelmente de madeira e movido por tração animal, que era a forma mais comum dos engenhos de nossa região.

O caráter da produção

Por ter um mercado reduzido, em comparação com o do açúcar, a produção tinha um caráter regional, não sendo necessária a sofisticação exigida para fabricar o açúcar que era exportado. Até hoje produz-se rapadura no Brasil com métodos e técnicas rudimentares. Não houve a introdução de inovações no processo produtivo nem diversificação de produtos. A grande maioria dos engenhos continua produzindo rapadura em tabletes de 400g a 500g que são comercializados nas regiões próximas das áreas produtoras.

Comentário

Apesar da rapadura ainda fazer parte da culinária carnaubaense, não existe hoje em dia nenhum engenho que fabrique esse tipo de doce em nossa cidade.

A baixo, temos um vídeo mostrando como acontece a produção da rapadura em um engenho semelhante ao do tempo de Abel.




Fonte: O texto sobre rapadura está disponível em: http://basilio.fundaj.gov.br. Acesso em: 14 mai. 2015. Os comentários foram feitos pelo blog.