sexta-feira, 20 de novembro de 2015

NOTA HISTÓRICA: CARNAUBAIS E O BIPARTIDARISMO

A terceira e a quarta eleição municipal de Carnaubais aconteceu sob o sistema bipartidário que vigorou durante a ditadura militar, ou seja, os candidatos estavam ligados apenas a dois partidos, a ARENA e o MDB.

O bipartidarismo foi instituído no final de 1965 pelo presidente Castelo Branco através do Ato Institucional Nº 2 (AI-2), apenas alguns meses depois da primeira eleição municipal de Carnaubais. No início de 1966 foram organizados os dois partidos que dividiriam a cena política brasileira nos anos seguintes: o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e a Aliança Renovadora Nacional (ARENA). A partir disso, os candidatos da terceira e quarta eleição municipal de Carnaubais, estavam ligados somente a esses dois partidos.

Na eleição de 1972, os dois candidatos que disputaram a prefeitura de Carnaubais, Valdemar Campielo, que foi o vencedor, e João Benevides Sobrinho, pertenciam a ARENA. Já na eleição de 1976, o candidato vencedor, Valdeci Medeiros, pertencia ao MDB, enquanto seu oponente, Giovani Wanderley, pertencia a ARENA.


Na quinta eleição municipal, que teve seis candidatos, apesar da maioria deles estarem ligados ainda a ARENA e ao MDB, que na época podiam lançar mais de um aspirante, houve candidato ligado a outro partido, como foi o caso de Luiz Cavalcante, que disputou a eleição pelo PT. Isso aconteceu porque em 1979 o presidente enviou para o Congresso Nacional a Lei Orgânica dos partidos políticos, que foi sancionada no final daquele mesmo ano e que restabelecia o pluripartidarismo no Brasil. 

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

A CONTRUÇÃO DA NOVA CARNAUBAIS

Dentro de duas gestões após a transição da sede do município da várzea para o tabuleiro, a cidade nova foi aos poucos edificada. Por um período de um pouco mais de dez anos, casas, prédios públicos e ruas foram construídos.

A atual prefeitura, assim como o atual mercado público, além da antiga praça central foram erigidos nesse período. Em 15 de outubro de 1978, houve a inauguração, pelo então governador Tarcísio de Vasconcelos Maia, do sistema de eletrificação e do posto telefônico. No dia 22 de agosto de 1980 foi criada, através da Lei Nº 462/80, a Escola Estadual Adalgiza Emídia da Costa. E foi também inaugurado nesse período, já na década de 1980, pelo então governador Lavoisier Maia, o centro de saúde.

No dia 18 de setembro de 1983, através do Projeto de Lei Nº 05/83, do então vereador Aluizio Lacerda foi criada a bandeira do município e oficializado o Hino de Carnaubais que foi composto por Cristóvão Dantas, autor da melodia e João Marcolino de Vasconcelos, conhecido como Lou, que foi o autor da letra.


Assim, com nova sede, nova prefeitura, novo mercado público, nova praça central, novas escolas, o Adalgiza e o Abel, este último construído ainda na segunda gestão de Valdemar Campielo, com a nova eletrificação, além dos postos de saúde e telefônico e além do hino e da bandeira, Carnaubais era uma nova cidade, reerguida após a enchente de 1974.

A QUINTA ELEIÇÃO MUNICIPAL DE CARNAUBAIS

 
       A quinta eleição municipal de Carnaubais foi a que até agora apesentou o maior números de candidatos. Seis pessoas disputaram o pleito. Tinha a chapa formada por José Nazareno do Nascimento, na época o atual vice-prefeito, junto com José Pedro de Moura, a chapa formada por Ponciano Bezerra e Francimário Moura, a que foi formada por Verdi Cortês e Lauro Pelonha, outra que foi composta por Giovani Silva Wanderley com Laércio Lopes Fernandes, ainda outra composta por Tanemberg Barreto e Marlice Campielo e a última composta por Luiz Cavalcante e José Bênio Pinheiro.
               
  A eleição aconteceu no dia 15 de novembro de 1982. A chapa que saiu vitoriosa foi a de Giovani Wanderley (no centro da foto ao lado dos militares) e Laércio Lopes, que assumiram o governo municipal carnaubaense no dia 31 de janeiro de 1983 e governaram até o dia 31 de dezembro de 1988.


Giovani Wanderley teve a incumbência de continuar a construção da cidade nova que já tinha sido iniciada desde a segunda gestão de Valdemar Campielo, passado pela gestão de Valdeci Medeiros e agora se encontrava sob a responsabilidade do seu governo.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

A QUARTA ELEIÇÃO MUNICIPAL DE CARNAUBAIS

Durante o processo de transição da sede do município da várzea para o tabuleiro ocorreu a quarta eleição municipal de Carnaubais. Essa eleição foi diferente das demais, pois contou com três candidatos.

Pela situação concorreu Giovani Silva Wanderley, tendo como candidato a vice Francisco Gomes de Souza. E pela oposição teve Valdeci Medeiros de Moura, que tinha como candidato a vice José Nazareno do Nascimento e Ponciano Bezerra que apontava como seu vice João Domingos Filho.

A eleição aconteceu no dia 15 de novembro de 1976. Saiu vitoriosa a chapa formada por Valdeci (no centro da foto ao lado do militar) e José Nazareno, que assumiram o cargo de prefeito e vice, respectivamente, em 31 de janeiro de 1977, governando Carnaubais até 31 de janeiro de 1983.


Coube a Valdeci Medeiros a continuação da construção da cidade nova. Nesse processo, a maioria dos prédios públicos da antiga cidade foram derrubados para que o material deles fosse utilizado na edificação dos prédios públicos da cidade nova.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

NOTA HISTÓRICA E BIOGRÁFICA: GOVERNADORES CORTEZ PEREIRA E TARCÍSIO MAIA

Na época da cheia de 1974 o govenador do Rio Grande do Norte era José Cortez Pereira de Araújo, mais conhecido como Cortez Pereira. E durante o período de transição da sede do município da várzea para o tabuleiro quem estava governado o nosso estado era Tarcísio de Vasconcelos Mais, chamado de Tarcísio Maia.

Cortez Pereira (foto à esquerda) nasceu em Currais Novos, no dia 17 de Outubro de 1924, filho de Vivaldo Pereira Araújo e Olinda Cortez Pereira. Formou-se em Filosofia e em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco. Filiado a ARENA, foi indicado governador do Rio Grande do Norte pelo presidente Emílio Garrastazzu Médici em 1970, governando o RN até 1975. Ele era o governador no momento em que Carnaubais foi alagada pela cheia de 1974. Ele também foi prefeito de Serra do Mel no período de 2000 a 2004, não chegando a concluir o mandato, pois faleceu em 21 de fevereiro de 2004, em virtude de uma pneumonia.

Já Tarcísio Maia(foto à direita) nasceu em Catolé do Rocha, na Paraíba, em 26 de agosto de 1926. Formou-se médico pela Faculdade de Medicina da Bahia. Apesar de ter nascido na Paraíba, fez carreira política no Rio Grande do Norte. Ocupou a Secretaria de Educação na gestão do governador Dinarte Mariz (1955 – 1960) e como deputado suplente ocupou o cargo algumas vezes, como em 1957 e entre 1963 e 1965. Em 1975 foi designado governador do RN pelo presidente Ernesto Geisel, governando até 1979, sendo o governador do período da mudança da sede do município de Carnaubais da várzea para o tabuleiro. Tarcísio Maia faleceu em 10 de outubro de 1988.

          Esses homens ajudaram e contribuíram com o prefeito Valdemar Campielo e com a população carnaubaense na ajuda as famílias atingidas pela cheia e na construção da cidade nova.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

NOTA HISTÓRICA: SOBRE A SUDENE

Para a construção da cidade nova depois que a antiga cidade de Carnaubais foi alagada pela cheia de 1974, o prefeito da época, Valdemar Campielo contou com o apoio da SUDENE – Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste.

A SUDENE foi um órgão criado em 15 de dezembro de 1959 através da Lei Nº 3.692. Ela era uma autarquia subordinada diretamente a Presidência da República. A causa imediata de sua criação foi a seca de 1958 que aumentou o desemprego rural e o êxodo da população.

O objetivo dessa superintendência era promover e coordenar o desenvolvimento da região Nordeste e parte de Minas Gerais através de ações planejadas e intervenções diretas na região a fim de diminuir a diferença que havia entre o Nordeste e o Centro-Sul do Brasil.

Após a enchente de 1974 a SUDENE foi acionada e interveio enviando recursos para a construção dos novos prédios públicos e de algumas casas, a fim de que a população remanescente e a sede de Carnaubais fosse transferida da várzea para o tabuleiro.

A foto do lado direito mostra a escola Abel Alberto da Fonseca recém construída. Essa escola foi edificada no período da transição para a cidade nova. Hoje esse prédio é chamado de centro administrativo e fica próxima a Praça Nelson Gregório.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

A CHEIA DE 1974: O DIVISOR DE ÁGUAS

A jovem cidade de Carnaubais ia completar apenas 11 anos de emancipação política e estava passando pela sua terceira gestão municipal quando foi atingida por um acontecimento que marcaria e mudaria definitivamente a sua história. Esse importante acontecimento foi a enchente de 1974.

Era Abril de 1974, o então prefeito de Carnaubais, Valdemar Campielo, estava há um pouco mais de um ano de sua segunda gestão e toda a região do Vale do Açu estava passando por um inverno forte e rigoroso. Com as abundantes chuvas, o Rio Açu foi enchendo e suas as águas foram avançando sobre a cidade de Carnaubais, inundando os prédios públicos e as casas e sítios dos moradores, que ficaram embaixo d’água por cerca de 19 dias.

Para salvar alguns de seus pertences as pessoas os abrigavam nos prédios mais altos da época, como a Igreja, por exemplo, e depois, por meio de canoas transportava-os para as parte mais alta da cidade, conhecido por tabuleiro. Através das canoas as pessoas também eram levadas para o tabuleiro, para serem abrigadas nas casas de alguns que por lá já moravam.


Por causa dessa cheia, muitos perderam tudo e mudaram-se para outras cidades a fim de recomeçarem suas vidas longe das enchentes. Outros decidiram ficar e recomeçar aqui mesmo tanto suas vidas como a própria cidade.


Depois que as águas baixaram iniciou o período do recomeço e da reconstrução. Mas em 1975, foi tomada uma decisão de reconstruir não mais onde a cidade estava, mas no lugar onde já existia moradores e a população foi anteriormente abrigada, no tabuleiro.

Assim, o prefeito Valdemar Campielo adquiriu apoio do governo do estado, da SUDENE e do Canadá para dar início a construção da nova cidade. Ele contou também com a contribuição da população, pois os proprietários doaram suas terras e os de menores condições participaram ativamente no trabalho de construção.


A enchente de 1974 se tronou, então, um divisor de águas na história carnaubaense, pois, por causa dela, podemos dividir a nossa história em duas fases. A primeira fase vai da formação até a grande cheia, que corresponde a época da Cidade Histórica e a segunda fase vai dá reconstrução de Carnaubais até os dias de hoje, correspondendo a época da cidade nova.